OS 5 ERROS MAIS COMUNS NA HORA DE INSTALAR A RÉGUA DE GASES E COMO EVITÁ-LOS
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Os 5 erros mais comuns na hora de instalar a régua de gases e como evitá-los

Em qualquer ambiente hospitalar, existem sistemas que, embora invisíveis, são a verdadeira linha de sustentação da vida. A rede de gases medicinais é um deles. Ela transporta oxigênio que auxilia a respiração, ar comprimido que alimenta equipamentos de suporte à vida e outros gases essenciais para procedimentos complexos. 

Uma falha nesse sistema não é um simples problema técnico; é um evento com potencial para consequências graves, afetando a segurança do paciente, a eficiência da equipe e os custos da instituição.  

Apesar de sua criticidade, a fase de projeto e instalação dessa infraestrutura é frequentemente marcada por erros que poderiam ser evitados. Essas falhas nascem de um planejamento inadequado e da escolha de parceiros sem a devida qualificação. 

A decisão de como instalar a régua de gases e toda a rede de suprimento define a segurança e a eficiência do cuidado por muitos anos.

Este artigo vai detalhar os cinco erros mais comuns nesse processo e, mais importante, mostrar como evitá-los. O objetivo é capacitar gestores e engenheiros clínicos a tomar decisões mais seguras e estratégicas, garantindo que essa linha vital invisível funcione com perfeição.

Leia também: Régua de gases nos cuidados paliativos: entenda a importância

1. Dimensionamento incorreto da rede

Um dos erros mais graves e, infelizmente, comuns, é o dimensionamento inadequado da tubulação. Isso acontece de duas formas: subdimensionamento, quando os tubos são muito finos para a demanda, e superdimensionamento, quando são excessivamente largos. 

A causa raiz é, muitas vezes, a prática perigosa do “projeto copia e cola”, onde especificações de projetos antigos são reutilizadas sem uma análise customizada das necessidades atuais do hospital, como o número de leitos e a demanda dos equipamentos.  

As consequências são severas. O subdimensionamento pode causar quedas de pressão que comprometem o funcionamento de ventiladores mecânicos e equipamentos de anestesia, colocando pacientes em risco iminente. 

Além disso, força os compressores a trabalharem em sobrecarga, acelerando o desgaste e aumentando os custos de manutenção. Já o superdimensionamento representa um desperdício de recursos, inflando o custo inicial com materiais desnecessários.  

Para evitar esse erro, a solução é exigir um projeto de engenharia detalhado e personalizado. Esse projeto deve se basear em cálculos precisos de demanda, considerando fatores de simultaneidade (a probabilidade de vários pontos serem usados ao mesmo tempo) e planos de expansão futura, sempre seguindo as diretrizes da norma ABNT NBR 12188.  

2. Seleção inadequada de materiais

Tão importante quanto o tamanho dos tubos é o material do qual são feitos. Um erro crítico é escolher componentes que não são quimicamente compatíveis com os gases transportados, especialmente o oxigênio, que é um forte agente oxidante. O uso de materiais inadequados ou que não foram devidamente preparados para o serviço com oxigênio pode ter consequências catastróficas.  

O principal risco é a segurança. A incompatibilidade de certos materiais com oxigênio sob alta pressão pode levar à ignição espontânea e a explosões. Além disso, a corrosão e a degradação podem gerar vazamentos e contaminar o gás com partículas metálicas, danificando equipamentos clínicos sensíveis e comprometendo a pureza do gás entregue ao paciente. 

Optar por materiais mais baratos é uma falsa economia, pois falhas prematuras geram custos de reparo e paradas não programadas que superam em muito a economia inicial.  

A prevenção exige aderência estrita às normas técnicas, como a ABNT NBR 12188. É fundamental exigir que todos os componentes em contato com oxigênio sejam certificados como “livres para serviço de oxigênio” e utilizar materiais consagrados pela segurança, como tubos de cobre sem costura e ligas de latão para válvulas e conexões.  

3. Localização perigosa ou ineficiente

A segurança de uma rede de gases também depende de onde seus componentes estão instalados. Um erro comum é posicionar a central de suprimento (sejam cilindros ou tanques) perto de fontes de calor, como caldeiras, ou de materiais inflamáveis. Instalá-la em locais sem ventilação adequada ou de difícil acesso também é um risco, pois complica a manutenção e pode levar ao acúmulo perigoso de gases em caso de vazamento.  

Nos pontos de consumo, o erro está no mau planejamento do layout. Tomadas de gases distantes do leito exigem mangueiras longas, que se tornam um risco de tropeço para a equipe, ou posicionadas de forma que dificultam o acesso dos profissionais de saúde, uma falha de ergonomia que se torna crítica em emergências.  

A solução é um planejamento integrado. A localização da central de suprimento deve seguir rigorosamente as normas de segurança, como a ABNT NBR 12188 e a RDC 50 da ANVISA, que estipulam distâncias seguras e requisitos de ventilação. 

Para os pontos de consumo, é essencial envolver a equipe clínica no processo de design. Médicos e enfermeiros podem oferecer insights valiosos sobre o fluxo de trabalho, garantindo que o layout otimize o cuidado ao paciente.  

4. Omissão do teste de estanqueidade

Após a montagem da rede, um passo é obrigatório e inegociável: o teste de estanqueidade, que verifica a existência de vazamentos. Omitir este teste, seja por negligência ou para cortar custos, é um erro grave. A suposição de que a ausência de cheiro significa ausência de vazamento é perigosa, pois gases medicinais como o oxigênio não possuem odor.  

As consequências são financeiras, de segurança e legais. Vazamentos representam uma perda silenciosa e contínua de gases caros. Em termos de segurança, o acúmulo de oxigênio em um ambiente confinado aumenta drasticamente o risco de incêndio. 

Legalmente, a falta de um laudo de estanqueidade impede a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), colocando o hospital em não conformidade e, em caso de acidente, configurando negligência grave.  

Para evitar esse risco, é mandatório exigir a realização do teste por uma empresa qualificada, seguindo a norma NBR 15.526. Ao final, a instituição deve receber o laudo de estanqueidade e a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documentos que comprovam a segurança da rede. Este teste não deve ser um evento único, mas parte de um programa de manutenção preventiva.  

5. Como instalar a régua de gases sem um sistema de monitoramento e alarme

Uma rede de gases, mesmo que bem projetada e instalada, não está livre de falhas. O erro final é não contar com um sistema de monitoramento e alarme que atue como os “sentidos” da rede. Esses sistemas monitoram a pressão e o fluxo, alertando a equipe sobre qualquer anormalidade. 

Um erro comum é instalar os painéis de alarme apenas na central técnica, longe da equipe clínica que precisa da informação em tempo real, como no posto de enfermagem da UTI.  

Operar sem alarmes é operar às cegas. A consequência mais grave é a resposta tardia a uma emergência. Uma falha no suprimento de oxigênio só será percebida quando os equipamentos clínicos começarem a falhar, transformando um problema técnico em uma crise com risco de vida para o paciente.  

A solução é tecnológica. É essencial instalar a régua de gases e toda a rede com um sistema de alarme robusto, que atenda à NBR 12188, com alertas visuais e sonoros. Os painéis devem ser posicionados em locais estratégicos e de alta visibilidade para a equipe clínica. A integração com válvulas de segurança, que podem interromper o fluxo em caso de emergência, aumenta ainda mais a proteção.  

A segurança começa no projeto

A análise desses cinco erros mostra que todos são evitáveis e nascem de uma subestimação da complexidade dos sistemas de gases medicinais. A tentativa de economizar na fase de projeto, optando por fornecedores não especializados, é uma falsa economia. Os custos de corrigir esses erros, somados aos riscos para a segurança do paciente, superam em muito qualquer investimento inicial em um planejamento bem executado.  

A tarefa de instalar a régua de gases vai muito além da simples montagem de tubos; é um ato de engenharia que impacta diretamente a segurança hospitalar. A forma mais eficaz de evitar essas armadilhas é contar com um parceiro especialista desde o início. 

Um fornecedor qualificado não entrega apenas produtos, mas uma solução completa que garante conformidade, segurança e eficiência para a sua instituição.  

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